Bernardo Santareno, médico de profissão, foi no início de carreira médico de campanha a bordo de dois navios bacalhoeiros bem como no navio-hospital “Gil Eannes”, na Terra Nova e Gronelândia, em que assistiu os pescadores dos barcos de pesca à linha.
Dessa sua vivência surgiram duas obras “Nos Mares do Fim do Mundo” e “O Lugre”. A primeira, obra literária que relata a vida a bordo daqueles homens naquelas águas onde o dia nunca acaba e o sol brilha no meio da noite. A segunda, uma obra dramática que mostra também, com imagens e ações, as agruras dos pescadores dos bacalhoeiros em meados do século passado.
Com base nestas duas obras menos conhecidas do autor, e tendo em conta o paralelismo entre elas, se constrói este espectáculo.
“Nos Mares do Fim do Mundo” surge de um aprofundamento de uma performance do Teatro Estúdio Fontenova realizada em 2020. O TEF, com actividade em Setúbal, terra marcada pela forte relação ao mar e à vida piscatória, relaciona-se indubitavelmente às histórias que Santareno aborda. E embora desta terra não tenham saído tantos homens para a pesca do Bacalhau, a verdade é que as vidas se entre-cruzam, e muitos foram aqueles que vindos da Nazaré, ou da Fuseta, cá vieram parar e continuar as suas vidas.
O TEF continua o seu trabalho de relação com a história e antropologia do país, no levantamento de situações de vida que caracterizaram a sobrevivência do povo. No seguimento de trabalhos como “Qual Estado Nação?”, ou “A Casa de Emília” abordamos aqui, uma vez mais, a proximidade a vivências comuns, no seio de famílias ou relações próximas. As histórias que Bernardo Santareno partilha são aquelas que poderiam ser de muitos dos nossos pais, avós ou bisavós, da dureza de vida de um Portugal cuja população, na sua maioria, viva na miséria. Fazemos aqui a devida e continuada homenagem ao autor, e a todos os que sacrificaram a sua vida no mar por uma vida melhor.
Na encenação, pretendemos recriar o ambiente marítimo, o companheirismo e a solidão em mar alto, mas também o contexto e presença das mulheres que ficavam em terra e tinham que gerir a sua vida.
Ficha artística
Encenação e Espaço Cénico José Maria Dias
Dramaturgia José Maria Dias, Leonardo Silva e Patrícia Paixão
Espectáculo criado a partir da adaptação e co-criação da performance em 2020 José Maria Dias, Leonardo Silva
Interpretação Celso Pedro, Gonçalo Poeiras, Graziela Dias, Patrícia Paixão e Sara Túbio Costa
Figurinos Criação Colectiva
Vídeoplastia Ivan Castro e Leonardo Silva
Sonoplastia Emídio Buchinho
Desenho de Luz Ivan Castro e José Maria Dias
Design, Apoio à Comunicação e Produção Ana Lúcia Rodrigues
Operação Técnica Ivan Castro
Execução de Cenografia Ana Rodrigues e Ivan Castro
Apoio à execução de guarda-roupa Gertrudes Félix
Fotografia Helena Tomás
Criação de teaser e trailer Bere Cruz
Captação de Imagem Bere Cruz, Inês Monteiro Pires e Sandro Pereira
Produção Teatro Estúdio Fontenova
Apoio à comunicação Antena 2, Semmais, Setúbal Mais, Som da Baixa e XetúbalSite | Apoios União das Freguesias de Setúbal
O Teatro Estúdio Fontenova é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura | Direção-Geral das Artes e pela Câmara Municipal de Setúbal e associada d’A Descampado e da Performart.
Duração aproximada: 60 min
Classificação: M/12
esTREIA
Fórum Municipal Luísa Todi
13–22 Março 2026













