cerco

Ocupámos as terras, delimitámo-las, fechámo-las cada vez mais, até para quem sempre viveu delas. E como reagiu o nosso corpo a estes “cercos”? Foi-se fechando também, nele mesmo, e na sua ligação à terra. Corpo e Terra, dois lugares que habitamos, como não pensar neles de forma intrinsecamente ligada? Olhamos para o Alentejo, para Setúbal, para movimentos indígenas que questionam a violência para com terra e a violência para com o corpo da mulher, questionámos mulheres à volta do mundo na sua ligação corpo-terra, questionámos as nossas próprias ligações, bebemos das investigações académicas de Silvia Federici e do conceito de Marx de “cercamento”. Assim, cercámos corpos, palavras, memórias e movimentos descobrindo que precisamos de os devolver, mais livres e mais abertos.

“Dizemos Mãe Terra… é a nossa mãe, e nós somos os filhos, e tudo entre nós e a terra é o nosso cordão umbilical. Então… se violarmos a terra, violamos estas coisas… envenenamo-nos.” Laura Red Elk (Pueblo Pintado)

Em memória da(s) (histórias) da avó Guilhermina.
Em memória da Acácia que era meu avô.

Criação e Interpretação: Eduardo Dias e Patrícia Paixão | DesignVídeo e Operação Técnica: Leonardo Silva | Agradecimentos: Accordzéâm (Tema “Des Hauts Débats”), Amala Oliveira, Anna Luňaková, Bitasta Das, Carlos Pereira, Graça Ochoa, Guida Brito (Blog “Navegantes de Ideias”), Helena Tomás, Iliana Martinez, Inês Monteiro Pires, Luis Junqueira, Ricardo Gaete, Ricardo Guerreiro Campos, Sara Túbio Costa, Shahd Wadi, Silvia Floresta, Tatiana Zalla, Tio Rex / Miguel Reis (Tema “BOM DIA! e Outros Pensamentos”) | Produção: Graziela Dias 

Teatro Estúdio Fontenova